quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Conto

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A última partida

Na mais profunda solidão daquelas horas, lá estava ele! Mendrey, o amor por essência de um rei. Ao mundo dos deuses eis que se fez, no amor de Anastácia a sua primeira vez! Ouvia as lágrimas de sua amada, soluços pelas escadas, descia ao inferno de Dante; camadas de puros instantes aos nove estágios de antes! O temor pela partida, doce amada de toda a vida, sonhou com os beijos teus!

Os passos e soluços estavam cada vez mais perto. Hades ao deserto do amor! Um mar de dor no peito de Anastácia! Chorava pela vacância de doce eterna lembrança do órgão que outrora lhe tinha ao peito, um coração sem leito, o amor de mais puro preceito; nas premissas de uma soleira! Aos joelhos de uma noite inteira, rezava! Na reza, não se curvava diante de tão belo altar! Mendrey a lhe esperar.

O anjo ali a porta, desfaz-se de criança morta, e se, julgais sorrir, vai chorar ao partir! O longo caminho para casa de onde não se pode voltar. Mergulhado em dores cessantes, malditas dos choros de antes, no amor é eterno o esperar, sabia que ia voltar! De longe, assim a miúde, Mendrey dizia: __Como pude deixa-la a me esperar! Anastácia. Gritou bem auto, completando o desespero  disse : _Perdoa-me!

Fora há mais de duzentos anos, quando talvez por vaidade, não se soubesse a verdade. E as horas assim no pesar! Passou do horário marcado, navio que estava atracado; lá, já não mais está! Por segundos viu a amada partir. Sem nem mesmo se despedir o barco veio a naufragar! Amor que sofre com a derrota, lhe bate mil vezes a porta até se concretizar!

No sonho de ontem certeiro, o homem que esperava o carroceiro, olhou-a do lado de lá! Acorrentada em uma masmorra, aos braços de Hades a lhe desejar. Os olhos de lágrimas rotas, os lábios tão belos entre abertos, algo diria-lhe ao certo! O amor quando eterno, está sempre por perto. E por mais que pareça um deserto, os sonhos hão de continuar. Mendrey estava casando, do outro lado de lá! Mas apenas ele pode, o vazio do coração de Anastácia encantar.

As horas corriam soltas e os homens a lhe precisar. Mendrey vestiu-se de vento e foi ao encontro das lagrimas do convento; pronto para lhe secar. Anastácia olhava o dia diante da janela, estava a clarear; aurora por cima do mar. De pronto em seu não existente coração, pairava o vento da canção eis que chega ao altar. Olhos firmes no passado, o presente assim amado, o amor eternizado.

Avalon há de estar, qualquer hora em qualquer lugar. Basta ouvir Anastácia suspirar, ele vem lhe encontrar. Atravessa montanhas e desliza pelo mar, é tempo de amar. Ouviu seu mais doce pedido, veio as suas lágrimas secar. Em instantes ela sentiu em teu corpo as mãos firmes a deslisar, segurou-lhe com firmeza! Era Mendrey a se mostrar, com o sorriso nos lábios dizia: _ Anastácia amor meu, não chores querida, você é minha vida, sou para sempre teu!


Um grande abraço a todos!
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