terça-feira, 26 de agosto de 2014

O que é Felicidade, você sabe?

Desde  quando entendi o que é a felicidade, me dei o direito de ser infeliz,  pois somente os infelizes conseguem sorrir por um bom tempo. Luciene Rroques 1996.
 
 
Dona Felicidade
 
 
Em um lugar não muito distante havia um homem; todos os dias ele acordava disposto a encontrar a felicidade; eram tantas as tentativas que: ele perdia-se em meio a muitas vaidosas felicidades. Um carro novo, um novo navio; comprou o Sol, comprou a Lua; tudo no jeito era pretexto para ser feliz, quem nunca assim quis? E o mundo multiplica o infeliz! Era só um momento e a felicidade estava por um triz; o homem comprava até vento, mas precisava ser feliz!
 
Quando pensava na tristeza tinha pavor de saber que a alegria poderia não ocupar-lhe o lugar, mas como encontrar, onde estava o maior estoque de felicidade? De tudo sentia apreço, por nada sentia saudade, um breve e doce momento: poderia ser a felicidade. Eram muitas as formas as quais ele conseguiu estabelecer para ser feliz. Todos os dias comprava a felicidade. 
 
Dito que a felicidade chegaria em uma cidade vizinha o homem foi conferir; pegou o seu jatinho particular, uma grande maleta de dinheiro, e foi comprar a felicidade. Era a única formula que ele ainda não havia comprado, era uma felicidade nova no mercado das felicidades, e  nem ele próprio sabia a procedência ou mesmo o que seria a nova fonte para ser feliz; era só compra, era só pagar!
 
Quando chegou a cidade foi logo avisando, detesto a tristeza, nasci para ser feliz, vim comprar a felicidade e leva-la para casa comigo eu sou o dono da felicidade, não importa o preço. A multidão que estava na praça esperando por Felicidade, observou o grande homem que vinha comprar a felicidade com um espanto terrível, ficaram todos chocados; pois o audacioso falava em comprar uma bela donzela: a filha do prefeito, a senhorita Felicidade Feliz dos Sorrisos Risada; era a filha do prefeito que acabava de chegar na cidade. O prefeito ao ver aquela presepada, foi logo dizendo:            - minha filha não tem preço!       O homem, compulsivo cronico por felicidade, indgnado abriu a maleta e mostrou ao prefeito os muitos Euros que trazia; e foi logo  dizendo: - de onde veio estes eu lhe trago mais quatrocentas maletas iguais.
 
O prefeito quando viu aquele tanto de dinheiro e mais quatrocentas malas repletas de Euros logo por vir, já pensou em comprar a cidade para ser feliz, enfim seria prefeito eternamente de sua própria cidade; sendo assim disse ao comprador de felicidade: - Negocio fechado cavalheiro, leve a Felicidade com você!
 
A moça muito humilde acatou a ordem do pai e seguiu com o homem. Neste dia ele era só felicidade, pois a filha do prefeito era linda, tinha um corpo de suvenir, abria-lhe a porta dos prazeres a todo o momento; era sem dúvidas o melhor negócio de sua vida, finalmente ele tinha comprado toda a felicidade do mundo!
 
Algum tempo mais tarde o homem ainda era milionário e casado com dona Felicidade, mas nem tudo era tão perfeito mais, pois o homem desconhecia o termo realidade. Felicidade, a esposa, continuava ainda bela, o corpo ainda era fonte dos prazeres, e com tantas técnicas modernas de estética corporal, a esposa agora era bem mais bela que antes. E os carros novos ele ainda tinha, e onde quer que se vendesse felicidade lá estava o nobre homem para comprar mais uma vez. É fato, virou fregues da felicidade!
 
Um belo dia da janela do escritório,  o nobre milionário compulsivo, viu uma mulher: ela estava suja, mal vestida, cabelos esfarrapados, e olhos vesgos, esta criatura ria abundantemente lendo uma notícia de jornal velho de rua. Na mão esquerda trazia um cafezinho que havia ganhado do dono do bar, pois não tinha dinheiro para pagar o cafezinho, afinal era 50 centavos um mísero copinho de café; havia ganhado uma sobra de garrafa. Achou um velho jornal rolando ao vento pela rua e saiu lendo e tomando seu cafezinho. Ao passo que ia lendo, enquanto deambulando e bebericando o café, caia na risada! Era uma rizada profunda, aquela que sai espontânea sem que se espere o motivo e assim ela continua; era a risada dos pequenos seres, risada ao veres, os simples prazeres. Eram muitas rizadas!
 
O homem ao ver aquela cena se desesperou, saiu do escritório carregando em uma mão o cafezinho, na outra trazia o seu  tablete no qual ia lendo o jornal do dia, e atento aos números da bolsa de valores. Foi atrás da mulher para adquirir aquela felicidade que ela carregava, pois sorria de forma tão natural e gostosa, sorria muito e motivos nenhum teria para tanto; logo o homem pensou: nada mais prudente do que comprar aquela felicidade toda, era justamente esta que lhe faltava! Saiu correndo atrás da mulher e gritando: - Senhora espere, espere eu preciso ser feliz! 
 
Logo alcançou a andarilha, e já foi  dizendo: - Senhora quero tudo, tudo, tudo; todo o estoque que a senhora tem ai de felicidade de qualidade, eu pago bem. Eu sou um milionário muito bem sucedido e feliz; coleciono felicidade e vim comprar a sua! Como a senhora é pobre e precisa de dinheiro eu lhe pago em moeda viva. E se a senhora for esperta  me vende e compra outra felicidade para seu uso pessoal. É um bom investimento. É melhor a senhora me vender, pois assim, terá capital para comprar mais felicidade do que imagina!
 
A mulher olhou para o homem e sorriu mais ainda, riu tanto que o resto do cafezinho derramou no chão da rua; eram duas gotas apenas, mas foi uma perda significativa. Nem por isso deixou de sorrir, continuou sorrindo demasiadamente, desfalcada de duas gotas de café.
 
 Enfim a mulher responde: Não vendo e nem compro a felicidade senhor, a que tenho me basta; mas caso o senhor queira saber de que estou rindo tanto e tão feliz da vida é só ler no jornal que o senhor vai rir também. Oiá aqui que absurdo de engraçado, lê o jornal, lê, vamos, lê, é veio, mas a noticia é uma boa piada!
 
O homem curioso e viciado em felicidade, toma o jornal das mãos da mulher e lhe entrega cinquenta centavos para repor o prejuízo das duas gotas de café;  já era uma boa esmola. A mulher alarga o sorriso mais ainda e feliz da vida sai em busca de mais um cafezinho fresco. A manchete de jornal, largamente estampada dizia:  _ Prefeito morre de tristeza ao vender a Felicidade e o comprador compulsivo já nem sabe mais como ser feliz com ela!
  Luciene Rroques
 
Nota: Quando se entende de forma mais profunda as palavras abstratas é possível perceber que nem tudo é o que parece e que tudo pode ser qualquer coisa.

Ano de publicação. 1996. e 2013. Só para constar, no texto de 1996 tablete era substituída no texto por " jornal novinho em folha." em 2013, alterei, alguns detalhes.
 
Um grande abraço!