segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os contos secretos

Fonte da imagem:Google imagens

"Os sonhos não correspondem ao corpo nem ao indivíduo isoladamente, mas aos conjuntos de informações pessoais absorvidas durante a vida. Sonhar com sentimentos é abstrair-se duas vezes; ser realista aos acontecimentos e sensações é observar a própria vida e brilhar na própria história. Não é preciso dominar o sol, mas ter domínio de si mesmo é necessário." Luciene Rroques.

 
 
AVISO: Você pode não continuar esta leitura, tens todo o direito de não prosseguir.

 
Ícaro

E por mais que seja tarde, não conforma-se aqueles que se diz o não! Viver indiferente é mostrar contravenção. Seja gente ou indigente, tente rente e se não tente, seja abastardo ou dê plantão; todos tomam o mesmo caminho ao falar da situação. É de falo, o que se fala; e se fala do falo se assusta a multidão. Pobre língua de tantas línguas que caladas caem ao chão. Competente torna-se a vida ao esclarecer a situação; daquilo que torna-se o bicho gente tão diferente se ouve então.

É um tanto fatídica tão avareza de sentimento. A quem diga : -Eu já não o aguento discutir mais os sonhos de Ícaro! E assim, passam-se os dias e se vive em lamento na busca do perfeito argumento que dê melhor entendimento.

- É lamentável dona Zeca, vê tanta gente que se preza cometer tal confusão. Eu como autoridade no assunto, já casado pela trigésima terceira vez, chego a ter pós doutorado no assunto.

Dona Zeca sorriu ao ouvir Ícaro dizer tanta zombeira só pra começar a tal conversa de fim de tarde. Lá estava o homem entendido no assunto para mais uma despedida de solteiro. E dona Zeca não podia discordar; afinal quem ali casou-se tanto quanto Ícaro ? Era bom ouvir mais um resumo do capitulo: as mulheres que se atropelem em toda a direção, caiam mortas, todas duras, na cova do coração.

Foi quando a conversa começou a fervilhar e os ouvintes se encheram da situação. Fauno Castanha com sorriso sarcástico ouvia as teorias do amor e ficava ali a espreita, tentando entender o porque e para que é preciso se entender, o que se quer entender. Ou seja, o que se quer entender não é parte do que se quer? Logo, como poderia ser, se assim não se quisesse? Ambos se entenderiam?

Algo era certo por todos: muitos falavam que Ícaro sabia mais. Ele era o mais casado entre todos. E ali naquela mesma roda de sempre. Na esquina entre as ruas Erasmo com Camem Miranda, sentados à mesa de buteco discutiam a vida a dois.

Eram horas de discussões sempre com a mesma resposta: Tente outra vez e jamais desista do amor! O grupo se reunia todas as sextas e lá estavam na consagrada reunião semanal intitulada por Cármem Lúcia de: O valor de um; falo. Cármem pouco falava, ou muitas das vezes nada dizia; embora ouvisse tudo sempre muito atenta.

Ali, toda semana não faltavam debates calorosos como a pergunta de Ícaro naquela boquinha de noite:

- Escute dona Zeca, numa relação a mulher tem ou não que agradar o marido?

- Ícaro meu caro, deixe de ser tolo, mulheres é quem precisam ser agradadas!

- Não acho dona Zeca, vocês falam muito mas não dizem o que queremos ouvir.

- Então diga senhor sabichão, o que é que vocês homens precisam tanto ouvir? Acho que nem vocês mesmos sabem o que gostariam de ouvir de uma mulher!

- Não diga isso, a senhora já tem maior idade entre todos aqui e sabe que o primeiro homem de uma mulher é especial e este quer ouvir que ele é especial!

Neste instante todos se olham a espera da resposta de dona Zeca. Ela abaixa a cabeça, olha para Cármem Lúcia e responde:

- Vejamos bem Ícaro, olhe a Cármem, o que você vê?

O homem já nas vésperas de mais um casamento se assusta com a pergunta que lhe volta. Olha descabriado para Cármem, faz um gesto de levantar a sobrancelha esquerda. Pensa por alguns segundos e continua:

- Mas que pergunta dona Zeca, não estou falando da Cármem. Estou dizendo o que uma mulher deve dizer ao seu homem e a senhora por não saber a resposta joga a bola pra frente!

Cármem Lúcia ali sentada com todos, sorriu entre os dentes, aquele sorriso tão imperceptível que apenas o seu subconsciente fora capaz de capitar. Abaixou os olhos em direção a mesa e continuou desenhando na mesma com o dedo indicador. Era desenho imaginário, mas valia a pena cada traçado feito ali na mesa. O silêncio pairou por alguns instantes e a tagarela senhora resolveu afrontar Ícaro .

- Decididamente Ícaro, vocês homens não sabem o que querem ouvir de uma mulher! Nem tão pouco imaginam o que querem e deve nos falar; não sabem de nada além do que há no meio de suas pernas; e eu garanto, não é o joelho de que falo é falo!

- É certo dona Zeca que o que se quer ouvir nunca é aquilo que se quer dizer? Como podem exigir de homens a tais palavras doces se não as diz a eles? Como se pode exigir tanto de nós homens se nem mesmo fazem questão de doar nada do que querem receber? Vocês não nos entende!

- É meu bom amigo, encurralei agora os teus pensamentos, qual é o lado mais carinhoso da história durante toda a existência da humanidade, homens ou mulheres?

Neste instante todos se olham à mesa, pois tratava-se de uma injusta pergunta. E mais uma vez a espera da resposta de Ícaro arregalava os olhos de dona Zeca. Ele abaixa a cabeça, levanta-a subitamente. Olha para Cármem Lúcia e responde:

-Vejamos dona Zeca, olhe a Cármem, o que a senhora vê?

- Não inverte o jogo meu caro colega! Respondeu dona Zeca e continuou:

- Queres de mim que de em ti a trégua? Então peço que já nem se case, e isso, tu me negas?! É inferno a vida a dois? E porque mais uma vez te entregas?!

O riso foi geral, de todos os presentes à mesa; até mesmo Cármem Lúcia resolveu esboçar tal satisfação pelo laço armado ao mais novo e velho ex solteiro do pedaço, Ícaro de Falo Falaço.
Fauno finalmente entrou na conversa:

- Sabe de uma coisa dona Zeca, to com a senhora, qual seria o motivo para Ícaro casar-se tanto se ele não gostasse do que as mulheres tem a lhe dizer?
Respondeu dona Zeca:

- Fauno aquele que muito quer entender a alma de uma mulher não casa-se com todas; este que se casa tantas vezes quanto Ícaro: é justo aquele que já desistiu de entender a mulher com quem sempre sonhou. Ícaro já não sonha! Veja a Cármem Lúcia, o que você vê?

Nesta hora mais um silêncio à mesa e Ícaro revoltado com as palavras de dona Zeca resolve dar o troco. Não ia deixar barato a maldosa língua da senhora que sem nenhuma cautela adentrou ao íntimo de todos os teus casamentos.

Fauno meio sem jeito levanta-se da cadeira e sai em busca de mais uma bebida. Esperar o garçom pra que? O clima ia esquentar com toda certeza. Ícaro iria retrucar dona Zeca e acabaria sobrando para ele no meio daquele fogo cruzado. Melhor ir buscar a bebida e poupar as pernas do garçom.

Ícaro já exaltado bate com a mão esquerda sobre a mesa e diz:

- Somos inteligentes dona Zeca, conhecemos qualquer mulher, conquistamos todas, e as dominamos como a palma de nossas mãos! Dominamos o sexo frágil essa é a verdade! E somos os primeiros homens a nos deitar com vocês e lhes fazerem mulheres, antes disso nem mulheres vocês são!

Sorridente e já mais calma, por ver que o amigo já havia lhe compreendido ao nível da exaltação falica fatidica e falida; dona Zeca da uma olhadela para Cármem Lúcia e Pergunta:

- Cármem Lúcia o que você vê ?

Cármem ali terminando de desenhar uma rosa com o dedo em cima da mesa, passa o copo para o lado esquerdo e dá finalmente mais espaço para a rosa flutuar sobre a mesa . Pegando o copo com três dedos levanta-o vagarosamente, bebe um pequeno gole; sorri para dona Zeca; aquele "sorrizinho" fino; recebe com a mão direita a bebida trazida por Fauno, respira profundamente, olha-o despropositadamente; vira-se para os outros à mesa e finalmente abre a boca, então responde:

- Eu vejo o quanto é vantajoso para um homem entender quando uma mulher quer que ele seja o último e não o primeiro! Vá se embora Ícaro, vá, durma bem esta noite; e lembre-se amanhã pela manhã terás a chance de ser o último de uma trigésima terceira, e eu estarei lá!

Domine o dominador. O homem em si palpável; admirado porém não único o forte falo de homem admirável! Na sangrenta guerra, o frio fio, dá dó do sexo incontrolável. Não se ouve o que nunca é esgotável. O admirável dominador um dia torna-se-a para si próprio o lastimável. Queira; o querer de todas estas, no eterno ser daquela. Que competente se torna a mente, daquele que se entende, e assim: torna-se o insubstituível a ela.
Ícaro em silêcio atravessou a rua e foi ter com o seu travesseiro, era a ultima noite; o sol iria brilhar logo pela manhã!

Parabéns, você descobriu este conto!

OBS: Este trabalho faz parte da série de contos que escrevo e escrevia com varios psedonimos, secretamente, daí vem o nome da coleção, OS CONTOS SECRETOS. Descrevendo conclusões e comportamentos sociais. Sei que algumas pessoas já conhece meu trabalho (e até mesmo este conto). Mas hoje, quero compartilha-lo com todos vocês que visitam minha página, e pouco conhecem de minha escrita.
Um abraço.
Espero não chocar ninguém, pois quando escrevo há duas possibilidades, ou se chora, ou apavora ! ( geralmente acontece) mas, é assim que escrevo!




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