sábado, 27 de dezembro de 2014

Músicas de final de ano

Fonte da imagem:  Google imagens.

Músicas de final de ano

A vida depois das festas, dos consumos exagerados das pessoas, sem horas para acabar; em mim qualquer tempo é começar  sem jamais exagerar, tenho consumido muito nessa vida, mas não consumo coisas, consumo meu próprio tempo. No silêncio do qual sou amante, o mundo paira nos meus instantes onde adoro ler a vida. Eu; eu pessoa estranha que sou, cá estou sem ressaca nem pesar. Tenho bebido água para sempre com lucidez estar; e esta tão rara bebida é boa pra saciar! Eu ouço samba, bossa nova e qualquer música que tocar. Gilberto tem aparecido e eu sei lhe escutar. Caetano sou um tanto suspeita pra falar. Cássia, grande menina, pena aqui não está. Raul, saudade é o que há.

A vida! Começa depois da uma longa descida, haverá  um dia em que o som dos pássaros se assemelha ao som dos homens, e neste dia a gente entende que o melhor bem a ser consumido é o tempo. Tudo lento, e também a Beth, me veio, cantar. Na rua as pessoas lentas estão a passar. Beberam demasiado sem saber o que estavam a comemorar, era papai noel não se pode duvidar. Eu estranhamente nem me coloquei a lhes criticar, quem sou eu para faze-lo; ninguém. Mas não pude deixar de observar: as maravilhas de ensinamentos que trazem as datas festivas. 

Não, não, eu não vou dizer que papai noel não existe, seria terrível que as crianças pensassem isso da figura do Noel; mas, é uma pena que elas já saibam que o bom velhinho não é tão bom assim e discrimina as crianças e não lhes dão presentes iguais. Vi na rua uma menina que chorava pela boneca maior e mais bonita que a amiga ganhou de natal. Indignada a criança duvidava que papai noel era mesmo alfabetizado. 

_ Será que esse velho não entendeu o que eu escrevi e me deu essa droga! Ele não sabe ler!

As crianças estão a cada dia mais educadas! Talvez a fantasia seja preciso mesmo, pois a realidade é um tapa social na cara de muita criança; ou a realidade é que seja necessária mesmo, pois a fantasia ilude e ao mesmo tempo desilude as crianças. O pai da criatura, coitado, deve saber ler tanto quanto o bom velhinho, com certeza; pois, trouxe à ela uma boneca, que: não tinha nada a ver com a caríssima boneca descrita na cartinha endereçada à papai Noel. 

O patrão que pagou a ele, o pai, pagou só o salário e o décimo terceiro com o qual o pobre coitado do pai de família pagou as contas atrasadas, já esta guardando dinheiro para a bandeira vermelha da conta de energia de janeiro; guardou  ainda uma boa parte para pagar os impostos de 2015 que infelizmente o papai noel nunca paga para ninguém, fez a ceia com todos os genéricos possíveis, frango grande vira peru, e cidra sempre será Champanhe ou champagne;  e ainda com tal miséria comprou uma boneca "menorzinha" para tentar alimentar a ilusão da filha de que é ela íntima de papai Noel que leu sua cartinha. Bem, agradou a filha que agora duvida que papai noel saiba ler! Rotulou o bom velhinho de analfabeto. 
Final de ano é um aprendizado, é música aos ouvidos, para quem pode lhe compreender. 

No mesmo dia um bêbado sobrou na rua do outro lado de lá; e eu, do lado de cá! Upa neguinho na estrada, upa neguinho pra lá e pra cá, upa neguinho na estrada começando a andar; e eu, aqui a escutar, o bêbado que passa na rua, nada está a lhe faltar, já está rico, bonito e feliz; agora só lhe falta chorar, para o efeito da bebida passar. Vai adormecer na próxima calçada basta as pernas se cansar. 

A sociedade é uma graça, é a desgraça que nem tem preço no mundo desde o começo! É triste de se ver os homens em seu avesso. Menina que rejeita boneca por causa do preço. Papai noel analfabeto e um sóbrio ilustre senhor bêbado que desce as ruas do meu país. Acho a vida engraçada, mas que graça na vida há!? Talvez porque ouço Bossa nova e entendo porque Iracema voo, consigo rir ao lado de quem ficou. A desgraça não me chocará e nem nunca me chocou, meu pé neste chão sempre pisou, Dorival, Inezita, Rolando e quem mais já passou; ficou! As cações que nunca terminou.

Um grande abraço a todos!
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