quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Os contos secretos ( Desculpe, mas vou te matar)


fonte da imagem google.
 
Desculpe, mas vou te matar.


A conversa era das boas, e os dois homens já acalorados debatiam até espumar o canto da boca. Do lado direito do balcão estava o senhor Fortunato, e do lado esquerdo, eis o senhor Amélio, um sujeito metido a aspirante intelectual.
Na porta de entrada do estabelecimento havia um painel dizendo bem vindo. No canto esquerdo da porta tinha uma imagem de mulher bêbada e desvestida, cabelos longos sobre a mama esquerda. Bem abaixo da imagem de mulher havia um prato, uma faca e um garfo, no prato uma escrita dizia: _ Sirva-se a vontade.
Numa mesa bem próxima a saída podia se ver um homem lambendo os dedos com uma moça no colo. A dona do local; parecia uma dama das Camélias. Mulheres sofridas. Vidas vividas em mulheres minera! O mais preciso dos bens. Valor que já era. Mulher não impera! O ano não era 1848; era 2001. E ali diante dos convivas que sempre apareciam, estavam os dois senhores educados e filósofos por demais!

Foi quando o tom de voz aumentou e todos podiam ouvir.

_ Eu vou te matar!

Assim esbravejou o senhor Amélio, olhando e apontando o dedo médio na direção do senhor  Fortunato. O homem já estava furioso e a conversa só aumentava.

_ Mulher é nada, é bicho fraco; é coitada, é carne assada pra presepada! Foi feita pra sexo e elas mesmas acreditam nisso. Ou por acaso você já viu alguma mulher não ser romântica. Esperam os príncipes encantados, elas nasceu para isso. Gritou Amélio.

Fortunato de pronto respondeu:

_ Pensas de tal modo porque não és tu igual a eu! Mulher é ser frágil, amor que a vida deu! Tenho dó das coitadas que a vida não entendeu. São servidas quentes; frias ou geladas para os homens que são Morfeu. Respeite as mulheres que o mundo as concedeu!

Amélio saltou do banco e gesticulando o dedo dizia:

_ Mulher foi feita pra sexo, só tem essa serventia. Se você vê mais alguma é porque você tem filha! Mulher se oferece, deixa de trabalhar para ter família. Mulher vive à custa de macho, lhes come o dinheiro todos os dias, e assim ganham a serventia virão o prato do dia. Mulher só faz fofoca, vive das futilidades do dia a dia. É feita pra por no prato! Só serve pra estas horas.

Seu Fortunato vendo o quanto o homem tinha razão em relação a algumas mulheres, e não em relação a outras, resolveu esquentar o debate e fez então um desafio.

_ Seu Amélio, façamos o seguinte: eu lhe faço uma pergunta e o senhor responde. Se o senhor não responder , eu saco da arma e te mato. Se eu responder errado o senhor saca da arma e me mata, pois assim prevalece a ideia mais correta. São três perguntas. E se nenhum de nos falhar, sobreviveremos para contar a história.

O acordo foi feito e as perguntas começaram.

_Porque mulher é tão desrespeitada em pleno século XXI ? perguntou seu Amélio.

_ Porque a história quiz assim , forçou a mulher a precisar do homem e em troca lhe dava sexo, foi sobrevivência; uniu conveniências, o homem precisa de sexo a cada duas horas, já a mulher não necessita, mas precisa de proteção o tempo todo, ou seja, da força bruta do homem. Foi assim lá na idade das cavernas.

Passou para a segunda pergunta, agora feita pelo senhor Fortunato:

_ Porque as mulheres ainda estão a merce do sexo primitivo e da selvageria de muitos homens então?

_A história quis assim, ué! E a própria mulher se vê como um mero pedaço de carne. O senhor por acaso já viu algum homem ressaltando, negociando descaradamente os seus atributos sexuais? As mulheres se vendem a todo o momento. E o pior, se vendem por nada. Se estão infeliz com o marido, “vendem” sua carne pro primeiro amante fuleiro que queiram lhes comer de graça, vendem por migalhas de atenção! Pois bem, vai me dizer que o senhor nunca ouviu o que estou dizendo. Já isso, não existe no mundo dos homens, homem se ocupa de politica de economia, não de romances fracassados de mulheres que doam suas carnes para um qualquer. Homem se ocupa de ganhar o dinheiro e comprar mulher. Mulher não, elas querem ter pensamentos fúteis, elas gostam mesmo e de ser inúteis e decorativas. Elas só servem para sexo, elas odeiam pensar, preferem ser românticas, vivem de fofocas e gloss!

Chegou a vez da terceira e última pergunta, desta vez o senhor Amélio tinha nas mãos a chance de fazer o questionamento. E o fez!

_ Meu caro senhor Fortunato, defensor incontestável das mulheres burras e decorativas. Se uma mulher chegasse aqui, agora, nesse exato momento, oferecendo-lhe sexo implícito, mostrando suas carnes na vitrine do corpo. Passando Gloss nos lábios, toda sorridente; falando apenas baboseiras, necessitada do príncipe encantado. E junto a esta mulher chegasse outra, requintada, calada, preocupada com a politica do país, revoltada com a discriminação sofrida pelas mulheres, consciente quanto ao mundo a sua volta. Se ambas aqui chegasse com qual delas você acha que teria a chance de aliviar-se a fazer sexo ?

O senhor Fortunato se viu de calças na mão, mas tinha que responder ou morreria, afinal o acordo estava valendo, a coisa era séria; e o senhor Amélio não deixaria barato.

Respondeu:

_ Uma mulher como a primeira, pode entrar aqui a qualquer momento, ou já está aqui coitada; já a segunda, não frequentaria um lugar destes aqui, e mesmo que frequentasse, seria um tolo quem tentasse se aproximar dela, ela estaria a altura dos homens; pois mulher que pensa também escolhe o que quer!

Seu Amélio ouviu a resposta e foi logo dizendo:

_  Eu vou te matar! Pois você não me respondeu a pergunta.

Seu Fortunato mais que depressa completou:

_ Desculpe, mas eu vou te matar; pois a primeira destas mulheres já está no colo do rapaz ali ao lado, e ele é quem fará sexo com a pobre coitada; e a segunda, está lá na minha casa me esperando, já me escolheu. Homens como você usam a primeira, as desafortunadas mulheres. Já homens como eu, podem dividir a vida com a segunda mulher pelo senhor desenhada, e ainda defender as pobre coitadas, pedaços de carne amordaçadas. Na vida é pequena. Pra os homens é nada. Pobres mulheres, mal amadas, de seus príncipes desfalcadas. Usadas, caladas na alma. E por fora enfeitadas a espera nas estradas.
Despediu-se de todos e saiu calmante do recinto.
 
Um grande abraço a todos!
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